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A visão humanística que muitos dos hospitais do Brasil procuram enfatizar na sua prática vem demonstrando que não é só o corpo que deve ser "olhado", mas o ser integral, suas necessidades físicas, psíquicas e sociais. Nesse contexto se insere o profissional da Pedagogia que ao promover vivencias de ensino aprendizagem mediante propostas reflexivas, visa buscar estratégias de atendimento e atuação.
Com ênfase em uma pratica construtiva, os profissionais dado Setor de Pedagogia do Hospital Infantil Joana de Gusmão, possibilitam a criança e ao adolescente internados ações que promovam o pensar, o criar, o brincar e o compartilhar em espaços diferenciados e interativos. Referencia-se que as propostas contidas nas ações são elaboradas partindo da premissa de que a hospitalização não interrompe o processo de interação social e aprendizado da criança e do adolescente.
Historicamente, a atuação do profissional da educação no HIJG iniciou na década de 70 com a implantação do Programa de Recuperação Neuropsicomotora de Crianças Severamente Desnutridas, onde a equipe multiprofissional assistia a criança em suas especificidades afetivas, cognitivas e sociais.
Atualmente, as ações da equipe pedagógica vêm sendo desenvolvidas através de programas educacionais, realizados por pedagogas, professoras, recreadoras e estagiários.

Pedagogas-SES:
- Claudia Mattos Silva

Recreadora - SES:
- Leily Aquino Silva Lopes

Professoras – SED:

- Claudia Teles

- Graciela Moraes Santos

- Jennefer Ramos

 

Os programas são:


- Atendimento Pedagógico Ambulatorial em Equipe Multidisciplinar - interação entre equipe multidisciplinar do hospital e o processo escolar por meio de diagnóstico, orientação e acompanhamento para escolares com dificuldades na aprendizagem.
- Atendimento Escolar Hospitalar (AEH) – Acompanhamento e orientação dos processos escolares, mantendo a sistematização da aprendizagem, promovendo o desenvolvimento e contribuindo para a reintegração à escola após alta hospitalar;
- Recreação - proposta lúdica terapêutica que consiste no desenvolvimento e vivencia de ações que oportuniza o brincar como mediador no processo de promoção da saúde, reelaborando as manifestações de alegria e bem estar da criança e adolescente internado.

 

Atendimento Pedagógico Ambulatorial em Equipe Multidisciplinar

O atendimento pedagógico realizado no ambulatório está vinculado ao Grupo de Saúde Mental do Hospital Infantil Joana de Gusmão e busca contemplar o diagnóstico, a orientação e o acompanhamento escolar de adolescentes com dificuldades na aprendizagem. Possui uma proposta psicopedagógica, intervindo em equipe multidisciplinar, permitindo, assim, a identificação de situações problemas que geram dificuldades no processo de aprendizagem e vivenciais sociais. O atendimento tem demonstrado que a identificação das causas das dificuldades de aprendizagem apresenta por vezes queixas relacionadas a um processo que perpassa pela autoestima, escola e família, A atenção e escuta pedagógica nestas situações, requer um atendimento específico e direcionado para contribuir e solidificar com o processo de aquisição de aprendizagem. Através de atendimento com periodicidade flexível, faz-se um acompanhamento deste aprendente criando um vínculo que irá auxiliar o escolar no momento de ressignificação de seus valores e desejos.


Dificuldade de Aprendizagem

Dificuldade de aprendizagem traz na sua contemporaneidade uma inquietação bastante presente no processo educacional. Alguns autores constituem a um baixo rendimento escolar esperado para a idade do individuo e outros complementam que as dificuldades podem ser referentes à audição, fala leitura, escrita e raciocínio matemático. Essas dificuldades podem estar vinculadas a fatores, como distúrbios neurológicos, disfunções do comportamento, deficiências sensoriais e mentais, como também distúrbios sócio-emocionais, como também, as diferenças culturais, crenças e valores atribuídos ao processo de escolarização, provocando um grau insuficiente de motivações para o aprender .

Como Compreendemos

Compreendemos essas dificuldades como algo vinculado também a auto-estima, algo que inviabiliza a capacidade de um indivíduo de aprender, de acreditar e sentir-se digno de que pode apropriar-se do conhecimento. Importante ter claro o que é fracasso escolar, procurando observar quando as dificuldades de aprendizagem vêm encobrir a fracalização da escola centrando no aluno todo insucesso de sua não aprendizagem.
É no espaço escolar que aprendizagem deve ocorrer, no entanto, é necessário identificar as prováveis causas que impedem esses alunos de apropriarem-se dos conhecimentos e sua inadaptação à aprendizagem. Nessa instancia permitir modalidades de aprendizagem, considerando as relações entre o aprendente e o conhecimento e aprendizagem escolar.
O ambiente escolar deve ser produtivo, de criatividade e realização e não de sofrimento e de perdas. Importante considerar o trabalho com as famílias, as práticas vivenciadas no contexto familiar deve ser ressignificado, ou seja, um novo olhar necessita ser adotado. Sendo assim a família precisa ser engajada como agente fundamental para o sucesso do atendimento a esse escolar.

 

Dicas para os Pais

  • Procure um profissional habilitado para que seja feito um diagnóstico completo;
  • Estabeleça uma agenda de horários para as atividades de seu filho, ele deve ter horário para acordar, comer, tomar banho, ver TV, fazer os deveres, brincar, e dormir;
  • Uma rotina fixa contribuirá para que a criança se organize.
  • É importante a realização de uma atividade física, de preferência não competitiva, assim entre outros ganhos haverá gasto de energia;
  • Tenham momentos de atividades em família, contar pequenas histórias, brincar com algum jogo, atividades que possibilitem o sentar junto, o falar e o ouvir;
  • Quando for fazer os deveres, procure um lugar tranqüilo, sem TV, sem música. Os brinquedos e objetos que não fazem parte da atividade devem ser guardados;
  • Quando for pedir algo, ou der uma ordem, faça de maneira clara, se necessário divida a tarefa, certifique se a criança entendeu.
  • Nunca chame seu filho de “malandro”, “preguiçoso”, “burro”, pelo contrário elogie suas conquistas, valorize pequenos passos. Palavras duras e gritos só prejudicarão o desenvolvimento e aprendizagem dele;
  • Estabeleça limites e regras claras, seu filho deve saber o que pode e o que não pode fazer.
  • Se interesse pelo desenvolvimento escolar de seu filho vá à escola, converse com a professora, procure saber em que ela pode ajudar para melhor aprendizagem da criança;
  • Demonstre seu amor pôr ele, diga que ele é importante pelo que ele é e não pelo que ele faz. Carinho e conforto em uma relação de confiança o ajudarão muito.

 

Dicas para os Professores

  • Não rotule, certifique-se com a família sobre o diagnóstico;
  • Procure conversar com os profissionais que atendem seu aluno, com todos os envolvidos no processo falando a mesma linguagem, será mais fácil auxiliar está criança;
  • Coloque a criança sempre próxima a você, se possível longe de janelas e portas. As carteiras dispostas em circulo facilitam a visualização da turma;
  • Construa com a turma regras claras do funcionamento da classe, deixe-as expostas;
  • Comece a aula expondo a rotina do dia, fale do seu plano de aula, se necessário faça por escrito;
  • Use recursos audiovisuais quando possível;
  • Busque assuntos de interesse da turma e os atuais que estão sendo vinculados na mídia;
  • Trabalhe música teatro, parlendas, histórias da comunidade e da realidade de seus alunos;
  • Se utilize do concreto, de imagens, de gravuras, faça perguntas, promova a participação em sala de aula;
  • Faça intervalos para alongamento, idas ao banheiro, tomar água. Cante com seus alunos;
  • Faça atividades curtas, que exijam pouco tempo para serem realizadas. Aumente gradativamente este tempo conforme o progresso da criança;
  • Mande deveres que a criança consiga realizar sozinha, ou com pouca interferência dos pais; Procure atividades que estejam dentro das possibilidades e limites dela, não sendo motivo de tortura para pais e filhos;
  • Estimule a atividade em grupo, sempre trabalhando o respeito às diferenças;
  • Nunca exponha os erros e dificuldades da criança, gritos para chamar a atenção só pioram as coisas;
  • Elogie sempre, recompense com bilhetes, cartões os pequenos progressos;
  • Não faça da agenda escolar um diário de reclamações, chame os pais para conversarem, quando possível. Bilhetes de reclamação constantes tiram a confiança e baixam a auto-estima da criança;
  • Crie um vínculo de afeto e confiança com seus alunos


Atendimento Escolar Hospitalar

É uma modalidade de atendimento para crianças e adolescentes escolares que estão passando pelo processo de hospitalização. Com propostas pedagógicas e educativas, as ações asseguram a manutenção dos vínculos escolares durante a internação e se propõem também a promover a reintegração à escola de origem, tornando todo esse processo e essa ruptura, em algo não tão fragilizado.

O AEH constitui, assim, importante suporte pedagógico, mantendo a criança hospitalizada integrada às suas atividades escolares. O principal efeito desse encontro da educação e da saúde é a proteção do desenvolvimento e dos processos cognitivos e afetivos relativos à construção da aprendizagem.

A função do professor no hospital não é a de apenas "ocupar criativamente" o tempo da criança para que ela possa "expressar e elaborar" os sentimentos trazidos pelo adoecimento e pela hospitalização, aprendendo novas condutas emocionais, como também não a de apenas abrir espaços lúdicos para que a criança "esqueça por alguns momentos" que está doente ou em um hospital. O professor deve estar no hospital para operar com os processos afetivos de construção da aprendizagem cognitiva e permitir aquisições escolares às crianças. (CECCIM, 1999, p. 43).

Objetivos

  • Proporcionar experiências e vivências de aprendizagem;
  • Fortalecer a manutenção dos vínculos escolares, mantendo o elo entre o aluno e sua escola de origem;
  • Promover um espaço prazeroso de interação social;
  • Favorecer a reinserção escolar após a hospitalização, prevenindo a evasão escolar;
  • Oferecer campo de ensino e pesquisa.

No Estado de Santa Catarina, o dispositivo legal sobre classe hospitalar segue as determinações do MEC, segundo as quais o atendimento pedagógico em ambiente hospitalar se constitui como uma modalidade da Educação Especial. Oficialmente, um convênio com a Secretaria de Educação do Estado (SED), firmado por meio da Portaria n. 30, de 05/03/2001, regulamentou a implantação de atendimento educacional no Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis, que foi o pioneiro na implantação de classe hospitalar.

Para que este atendimento seja legitimado, após alta hospitalar é enviado à escola de origem do aluno um relatório descritivo, validado pela EEB. Pe. Anchieta, escola da Rede Estadual em que o Atendimento Escolar Hospitalar do HIJG está vinculado, contendo as atividades realizadas, bem como o desempenho, posturas adotadas e dificuldades apresentada.

 

Protocolo de Atendimento

No nosso novo Espaço Educativo dispomos de 02 salas para atendimento. Os espaços estão constituídos para o atendimento do 1º ao 9º ano. O atendimento é disponibilizado para todas as crianças dos níveis acima citados, independente do tempo de internação e clínica médica, desde que estejam liberadas pela equipe médica e/ou de enfermagem. Para as crianças que não podem deslocar-se, o atendimento é realizado no leito das unidades de internação.
As salas estão estruturadas com mobiliário especifico para o atendimento, e com materiais permanentes e de consumo. Como instrumento de apoio, possui TV, DVD, computador, som, jogos, almofadas, suporte para soro, cadeira de rodas, brinquedos, livros didáticos, livros infantis e juvenis, entre outros.

 

Rotina de Atendimento

Turno matutino
Atendimento no leito

Turno vespertino
13:30 às 15:30 Atendimento nas salas - após este horário, atendimento no leito.

 

Dinâmica de Atendimento

  • Planejamento mensal e semanal;
  • Passagem diária das professoras pelas unidades de internação para convite à escola;
  • Preenchimento de formulário individual com dados pessoais e escolares;
  • Atividades em grupo e individuais conforme o planejamento e/ou necessidades específicas dos alunos;
  • Registro diário das atividades realizadas nas fichas individuais dos alunos;
  • Contato telefônico com as escolas de origem após o terceiro dia de freqüência na classe hospitalar;
  • Relatório descritivo após alta hospitalar, enviado pelo correio, à escola de origem.



Recreação

Quando falamos em Recreação, reportamo-nos ao antigo hospital pediátrico Edith Gama Ramos, pois foi neste hospital que um grupo de senhoras iniciou ações que tinham por objetivo amenizar o processo de internação.
Este grupo desenvolvia atividades voltadas para a maternagem e lazer. Com a mudança para as novas instalações denominada Hospital Infantil Joana de Gusmão, inicia-se uma nova etapa onde recreadores passam a desempenhar a função, estruturando o atendimento e estabelecendo novas concepções de recreação educativa em ambiente hospitalar.


Atendimento

O Programa de Recreação busca através de atividades lúdicas educativas, resgatar o lado saudável da criança e do adolescente durante o processo de hospitalização. Com este enfoque entendemos a recreação hospitalar como um recurso que elabora de forma prazerosa ações positivas relacionadas à enfermidade, recuperação, como também uma forma de ampliar as relações pessoais durante a internação.
O Programa objetiva também ser um facilitador, neste sentido os espaços criados para o atendimento, proporcionam conforto e descontração. A sala constitui-se em um ambiente estruturado e adequado para favorecer brincadeiras educativas, criativas e espontâneas. Possui mobiliário próprio e materiais lúdico-pedagógicos que estimulam o potencial criador do paciente internado. São realizadas também atividades na área de sol e no auditório. O paciente que apresenta restrição médica é atendido no leito com materiais adequados para tal atividade. Para a recreação, ter uma proposta lúdico-terapêutica dentro do contexto hospitalar é de fundamental importância o papel mediador da recreadora. É necessário que a recreadora estabeleça um planejamento de atividades a serem realizadas sendo que estas podem vir a se modificar ou serem adaptadas de acordo com os limites de idade, diagnóstico, fase da doença, tempo de hospitalização e vivências anteriores que a doença impõe às crianças e adolescentes internados.

Operacionalização

As estratégias de ação são o diferencial qualitativo que dimensiona as modalidades das atividades realizadas nas salas de recreação, área de sol e auditório do Centro de Estudos. Por esta ótica, as ações lúdicas se tornam um auxiliar no processo da hospitalização, funcionando como um novo espaço de socialização e interação, permitindo a criação de uma nova rede social. O processo de funcionamento está estruturado em atividades como jogos, brinquedos e brincadeiras, artes, leituras, música e cinema, entre outros.

Parcerias

Programa de Recreação proporciona aos pacientes internados momentos festivos, referenciando datas comemorativas como carnaval, Páscoa, Festa Junina, Dia da Criança e Natal. Ocorrem também apresentações diversas consolidadas por ações da comunidade através do envolvimento em geral de animadores infantis, colégios, escolas de música, corais, mágicos, artistas plásticos, cênicos, contadores de história e músicos e projetos de extensão acadêmicos.

Secretaria de Estado da Saúde - Hospital Infantil Joana de Gusmão

Rui Barbosa, 152 - Agronômica - Florianópolis / SC | Fone: 48 3251-9000